quarta-feira, 2 de agosto de 2017

História da Joalheria

História da Joalheria


O homem sempre sentiu a necessidade de se adornar. Os primeiros adornos eram feitos com ossos e dentes de animais, conchas, pedras e madeira e simbolizavam o status, o poder ou misticismos. 
O ouro é explorado pelo homem há mais de 6.000 anos. Acompanha a evolução humana, assim como as artes, contando a história através de belas jóias.
Em cada período histórico, as características das jóias e das artes se transformaram. Vamos conhecer um pouco sobre essa história através da joalheria.

Pré-história: Eram utilizados materiais como pedras, ossos, sementes e dentes de animais, lapidados de forma rústica.




Egípicios: As jóias deste período eram carregadas de misticismo e simbolismos. Figurativas, essas peças tinham formas de escaravelhos, que representavam o sol e a criação; olho do deus Horus, que protegia contra maus espíritos ou até mesmo de serpentes e escorpiões. Utilizavam muitas cores, que também eram carregadas de simbolismos. A policromia era obtida através de gemas como o lápis-lazúli, feldispato verde e turquesa ou até mesmo esmalte vitrificado.



                                                                       Jóia do faraó Tutancâmon com Escaravelho  e disco solar



Gregos: A princípio os gregos utilizavam formas geométricas. Com influência de outros povos passaram a produzir cenas mitológicas em brincos, braceletes e colares.

Etruscos: As técnicas de filigrana e granulação foram utilizadas com extremo primor

Celtas: A joalheria Celta sofreu grande influência de povos estrangeiros. Adaptaram as técnicas de outros povos à sua arte de trabalhar o metal. Utilizaram de forma magistral técnicas como: filigrana, gravação, intaglio, fundição, esmalte e granulação. 



Romanos: Os romanos utilizavam o ouro para financiar guerras. Somente em 27 a.C., com novas fontes do metal, é que os romanos passaram a utilizar parte deste ouro na joalheria. Lentamente, as jóias foram se tornando mais populares.

Idade Média: Na Idade Média a arte sofreu grande influência religiosa (teocentrismo). As jóias eclesiásticas ganharam força, sendo muito usados escapulários, crucifixos e relicários por ambos os sexos. 



Apareceram as primeiras sociedades de ourives, os quais se instalaram em guildas (corporações de ourives). As jóias tinham um simbolismo muito forte, não só religioso, mas também de status e divisão de classes. Existiam leis para o uso das jóias. 


O esmalte foi uma das técnicas em destaque.
Os anéis eclesiásticos, são usados até hoje por cardeais, bispos e pelo papa. A Burguesia utilizou anéis gravados com monogramas como instrumentos de autenticação de documentos.


Os cintos e broches, além de adornar, eram funcionais. O vestuário também era ricamente adornado. Fios de ouro e gemas eram aplicados às bordas dos tecidos.

As gemas tiveram um papel de destaque. Em uma técnica para realçar sua cor, algumas delas recebiam uma fina camada de metal. Foram criadas leis restringindo o uso desta técnica em conseqüência de seu uso indiscriminado.

As pérolas, rubis, safiras, esmeraldas e granadas foram as gemas mais utilizadas. Além do formato cabochão, pedras com facetas começam a surgir. É o período onde a lapidação começou a se desenvolver.

Joalheria Bizantina: Caracterizou-se pelo uso de gemas, pela policromia e trabalhos delicados de filigrana e granulação, expressando a fusão das culturas orientais e ocidentais. Nesse período, o tema principal era o religioso
As principais gemas utilizadas foram as pérolas e safiras.
O esmalte decorava peças ricas em detalhes na representação de santos, retratos e desenhos abstratos
A lapidação era muito primária. Utilizava-se apenas arredondar as arestas, lapidar em forma de contas e polir as facetas naturais da gemas.


Estilo gótico: A arquitetura gótica com seu verticalismo influenciou a joalheria de maneira gradual. A arte gótica surge em um momento de crescimento das cidades medievais. O estilo arquitetônico gótico já estava emergindo por volta de 1150, mas somente no final do século XIII é notado seu reflexo na joalheria. Surgem novas formas, mais angulares e pontudas que resultam em formas elegantes. A arquitetura retrata a crença na existência de um Deus que vive em um plano acima da humanidade, e isso explica o verticalismo, onde tudo aponta para o céu. Sua maior representação esta nas catedrais.


Renascimento: Com os estudos de anatomia e engenharia que ganharam força nesta época, os ourives conseguiram reproduzir com fidelidade, formas humanas representadas em peças inspiradas na mitologia.

A joalheria deixou de ser patrocinada pelo clero e passou a ser patrocinada pela burguesia. Foi então que o ofício de ourives começou a ganhar status de arte assim como a pintura e escultura.


Com as navegações e a descoberta das Américas, a Europa foi abastecida de ouro, prata e gemas
Era costume usar vários anéis na mesma mão, assim como muitos colares. Também era comum o uso de pingentes, brincos, broches e jóias para o cabelo e chapéu. Os adornos de chapéus eram feitos de ouro esmaltado, com motivos mitológicos ou religiosos. 

Camafeus também começaram a ser introduzidos na composição destes adornos.

Estilo Barroco: Nas jóias barrocas o que predomina é a emoção que vem contrapor com o racionalismo do renascimento. 


A França dita a moda. A jóias passam a ser usadas com mais moderação e ficam mais elegantes. Temas religiosos perdem espaço para os temas naturalistas como pássaros e flores. 


Houve um grande avanço na lapidação. Os desenhos de peças para o dia eram diferentes dos para serem utilizados à noite, já que estas deveriam refletir com mais intensidade a luz dos candelabros.
As jóias são usadas como ostentação de poder e riqueza


O diamante foi a gema preferida, mas rubis, esmeraldas e safiras também foram muito utilizados.

Rococó: O barroco se transforma em exuberância. Assimétricas, as jóias deste período são sedutoras. Utilizava-se muitas gemas coloridas e diamantes. As técnicas de lapidação foram aprimoradas. As peças tinham muito brilho e eram mais luxuosas. Surgem os conjuntos de jóias, peças feitas com a mesma linguagem formal e mesmos materiais.
Brincos, anéis, pendentes em formatos de buquês e laços são jóias muito utilizadas.

Neoclássico: Com a revolução francesa, a referência volta a ser os estilos grego e romano, limpando a jóia dos excessos dos estilos anteriores. Camafeus, medalhões e correntes voltam a ser utilizados.
As gemas, usadas com moderação, eram enfatizadas através de uma moldura de diamantes, ouro ou pérolas que rodeavam a gema principal. Tiaras, anéis e braceletes fazem parte dos adornos usados.

Art Nouveau: A inspiração deste estilo era a Natureza. Suas jóias eram a mais bela representação das linhas orgânicas. Utilizavam materiais como marfim, chifres, vidros entre outros.




Belle Époque: A jóia neste período era usada com o intuito de adornar as mulheres e satisfazer sua vaidade


               Belle Epoque ( Edwardian ) natural pearl brooch Natural pearl , Old European cut diamonds , Platinum & Gold Diameter 3,9cm Europe 1900-1910 circa

Art Decó: O Cubismo e o Abstracionismo, assim como as linhas da Bauhaus, tiveram forte influência neste período. Geométricos, os colares e longos brincos também eram produzidos em materiais alternativos (não preciosos), como o aço.




Segunda Guerra: Após a Segunda Guerra, a Europa deixa de ditar moda e adota o estilo de vida americano. O cinema é um grande meio de difusão deste estilo. O glamour de Hollywood começa a imperar. 


Com a guerra ouve uma queda de fornecimento de gemas. Abriu-se, então, um grande espaço para as bijuterias finas

Anos 60 e 70: A forma era mais valorizada que o material e novos conceitos passam a ser empregados, utilizando plástico e até mesmo papel. O design passa a ser valorizado pelo conceito.(Biane Motta)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Jóias Egípcias




Desde o quarto milênio a.C. que existem evidências de confecção de jóias no antigo Egito.

O povo egípcio dava enorme importância ao significado religioso de certos objetos sagrados refletindo e influenciando os motivos para aplicar nas suas jóias
Começaram por fazer jóias de simples materiais naturais como por exemplo ramos de plantas, pérolas, pedras sólidas ou ossos.


Estes materiais eram colocados em fios de linho ou em pêlos de vaca e para dar cor começaram a pintá-los com substâncias extraídas de plantas e pedras.
Jóias Egípcias
A arte da ourivesaria egípcia atingiu o seu auge nos anos de 2160-1730 a.C. quando este povo dominou as técnicas e a precisão de confecção de peças de joalheria.
Durante os anos de 1500-1085 a.C., a ourivesaria ganhou impulso por causa das missões regulares ao deserto oriental e núbia para extrair metais e conquistar territórios.
Jóias Egípcias
Na lapidação egípcia usavam-se fragmentos de esmeraldas ou pedras para esculpir pedras mais suaves, enquanto ferramentas rotativas eram usadas em jóias mais difíceis.
Jóias Egípcias
A construção de monumentos juntamente com coleções de mobiliário de grande valor, jóias e arte promoveram a glória, poder e dominação religiosa dos faraós em toda a região.
Jóias Egípcias
Esta projeção de grande riqueza tornou-se especialmente importante em sua vida após a morte.
Na era faraónica até à era romana, tanto os homens como as mulheres usavam jóias no seu dia-a-dia, não só como símbolo de riqueza e estatuto social mas também como acessório decorativo que os embelezava e protegia contra o mal.
Jóias Egípcias
O ouro foi o principal metal eleito por esta civilização e foi frequentemente usado ao longo da história desde há milhares de anos.
Para além deste metal, o bronze foi usado extensivamente e, por vezes, coberto com folhas de ouro bem como uma liga de ouro, prata e uma pequena quantidade de cobre chamado de "electro" na V dinastia de Faraó, Sahure.
Sendo as pedras naturais muito difíceis de serem trabalhadas, os antigos egípcios preferiram imitar as suas cores usando vidro policromada em 2000 a.C.
Jóias Egípcias
Do vidro solidificado formavam esferas, amuletos, eshawabtis (figuras pequenas que eram enterrados com a múmia) revestiam objectos de argila, de sílica e areia, pedra-sabão e era utilizado como capa de esmalte em jóias de metal.
O povo egípcio foi o precursor da filigrana e a realeza usava nas suas jóias, esmaltes com cores opacas como azul-cobalto, turquesa, verde, roxo e branco e pedras como a jaspe, cornalina, lápis-lazúli, malaquita, turquesa e quartzo ficando a lápis-lazúli a mais apreciada das gemas.
No antigo Egito, a jóia era tão importante quanto a sua cor e nenhum símbolo foi tão importante para os egípcios como o escaravelho ou besouro símbolo de renascimento.
Jóias Egípcias
De acordo com o livro dos mortos, o azul-escuro representava o céu quando fica de noite, o verde a ressurreição e a renovação, o vermelho, o sangue a energia e a vida.
Serpentes, escorpiões e outros animais tinham o poder de afastar os espíritos malignos.
A joalheria dos talismãs era destinada para os mortos, como forma de proteção para a outra vida.
Jóias Egípcias
As jóias dos faraós eram preparadas desde o momento de posse do trono, ocupando constantemente os Joalheiros.
Os acessórios encontrados e que faziam parte da ornamentação egípcia eram pulseiras, peitorais decorativos suspensos por corrente ou fita e decorado para representar várias divindades, formava uma espécie de peruca exterior que influi como as ondas do cabelo em fios longos e flexíveis de contas de ouro sendo mantido no lugar por um diadema de ouro de forma a manter a peruca durante as cerimónias.
Jóias Egípcias
Os diademas eram utilizados também pela múmia para proteger a testa do rei no além.
A maioria dos objetos domésticos tais como vasos, placas e móveis eram feitos de ouro batido enfeitado com jóias.
Jóias Egípcias
Embora alguns tesouros egípcios se tenham perdido ou sido roubados, o tesouro do famoso Faraó Tutancâmon, filho de Amenhotep III herdado e acumulado ao longo dos tempos, como o de Seti I ou Ramsés ainda permanece vivo.