quarta-feira, 2 de agosto de 2017

História da Joalheria

História da Joalheria


O homem sempre sentiu a necessidade de se adornar. Os primeiros adornos eram feitos com ossos e dentes de animais, conchas, pedras e madeira e simbolizavam o status, o poder ou misticismos. 
O ouro é explorado pelo homem há mais de 6.000 anos. Acompanha a evolução humana, assim como as artes, contando a história através de belas jóias.
Em cada período histórico, as características das jóias e das artes se transformaram. Vamos conhecer um pouco sobre essa história através da joalheria.

Pré-história: Eram utilizados materiais como pedras, ossos, sementes e dentes de animais, lapidados de forma rústica.




Egípicios: As jóias deste período eram carregadas de misticismo e simbolismos. Figurativas, essas peças tinham formas de escaravelhos, que representavam o sol e a criação; olho do deus Horus, que protegia contra maus espíritos ou até mesmo de serpentes e escorpiões. Utilizavam muitas cores, que também eram carregadas de simbolismos. A policromia era obtida através de gemas como o lápis-lazúli, feldispato verde e turquesa ou até mesmo esmalte vitrificado.



                                                                       Jóia do faraó Tutancâmon com Escaravelho  e disco solar



Gregos: A princípio os gregos utilizavam formas geométricas. Com influência de outros povos passaram a produzir cenas mitológicas em brincos, braceletes e colares.

Etruscos: As técnicas de filigrana e granulação foram utilizadas com extremo primor

Celtas: A joalheria Celta sofreu grande influência de povos estrangeiros. Adaptaram as técnicas de outros povos à sua arte de trabalhar o metal. Utilizaram de forma magistral técnicas como: filigrana, gravação, intaglio, fundição, esmalte e granulação. 



Romanos: Os romanos utilizavam o ouro para financiar guerras. Somente em 27 a.C., com novas fontes do metal, é que os romanos passaram a utilizar parte deste ouro na joalheria. Lentamente, as jóias foram se tornando mais populares.

Idade Média: Na Idade Média a arte sofreu grande influência religiosa (teocentrismo). As jóias eclesiásticas ganharam força, sendo muito usados escapulários, crucifixos e relicários por ambos os sexos. 



Apareceram as primeiras sociedades de ourives, os quais se instalaram em guildas (corporações de ourives). As jóias tinham um simbolismo muito forte, não só religioso, mas também de status e divisão de classes. Existiam leis para o uso das jóias. 


O esmalte foi uma das técnicas em destaque.
Os anéis eclesiásticos, são usados até hoje por cardeais, bispos e pelo papa. A Burguesia utilizou anéis gravados com monogramas como instrumentos de autenticação de documentos.


Os cintos e broches, além de adornar, eram funcionais. O vestuário também era ricamente adornado. Fios de ouro e gemas eram aplicados às bordas dos tecidos.

As gemas tiveram um papel de destaque. Em uma técnica para realçar sua cor, algumas delas recebiam uma fina camada de metal. Foram criadas leis restringindo o uso desta técnica em conseqüência de seu uso indiscriminado.

As pérolas, rubis, safiras, esmeraldas e granadas foram as gemas mais utilizadas. Além do formato cabochão, pedras com facetas começam a surgir. É o período onde a lapidação começou a se desenvolver.

Joalheria Bizantina: Caracterizou-se pelo uso de gemas, pela policromia e trabalhos delicados de filigrana e granulação, expressando a fusão das culturas orientais e ocidentais. Nesse período, o tema principal era o religioso
As principais gemas utilizadas foram as pérolas e safiras.
O esmalte decorava peças ricas em detalhes na representação de santos, retratos e desenhos abstratos
A lapidação era muito primária. Utilizava-se apenas arredondar as arestas, lapidar em forma de contas e polir as facetas naturais da gemas.


Estilo gótico: A arquitetura gótica com seu verticalismo influenciou a joalheria de maneira gradual. A arte gótica surge em um momento de crescimento das cidades medievais. O estilo arquitetônico gótico já estava emergindo por volta de 1150, mas somente no final do século XIII é notado seu reflexo na joalheria. Surgem novas formas, mais angulares e pontudas que resultam em formas elegantes. A arquitetura retrata a crença na existência de um Deus que vive em um plano acima da humanidade, e isso explica o verticalismo, onde tudo aponta para o céu. Sua maior representação esta nas catedrais.


Renascimento: Com os estudos de anatomia e engenharia que ganharam força nesta época, os ourives conseguiram reproduzir com fidelidade, formas humanas representadas em peças inspiradas na mitologia.

A joalheria deixou de ser patrocinada pelo clero e passou a ser patrocinada pela burguesia. Foi então que o ofício de ourives começou a ganhar status de arte assim como a pintura e escultura.


Com as navegações e a descoberta das Américas, a Europa foi abastecida de ouro, prata e gemas
Era costume usar vários anéis na mesma mão, assim como muitos colares. Também era comum o uso de pingentes, brincos, broches e jóias para o cabelo e chapéu. Os adornos de chapéus eram feitos de ouro esmaltado, com motivos mitológicos ou religiosos. 

Camafeus também começaram a ser introduzidos na composição destes adornos.

Estilo Barroco: Nas jóias barrocas o que predomina é a emoção que vem contrapor com o racionalismo do renascimento. 


A França dita a moda. A jóias passam a ser usadas com mais moderação e ficam mais elegantes. Temas religiosos perdem espaço para os temas naturalistas como pássaros e flores. 


Houve um grande avanço na lapidação. Os desenhos de peças para o dia eram diferentes dos para serem utilizados à noite, já que estas deveriam refletir com mais intensidade a luz dos candelabros.
As jóias são usadas como ostentação de poder e riqueza


O diamante foi a gema preferida, mas rubis, esmeraldas e safiras também foram muito utilizados.

Rococó: O barroco se transforma em exuberância. Assimétricas, as jóias deste período são sedutoras. Utilizava-se muitas gemas coloridas e diamantes. As técnicas de lapidação foram aprimoradas. As peças tinham muito brilho e eram mais luxuosas. Surgem os conjuntos de jóias, peças feitas com a mesma linguagem formal e mesmos materiais.
Brincos, anéis, pendentes em formatos de buquês e laços são jóias muito utilizadas.

Neoclássico: Com a revolução francesa, a referência volta a ser os estilos grego e romano, limpando a jóia dos excessos dos estilos anteriores. Camafeus, medalhões e correntes voltam a ser utilizados.
As gemas, usadas com moderação, eram enfatizadas através de uma moldura de diamantes, ouro ou pérolas que rodeavam a gema principal. Tiaras, anéis e braceletes fazem parte dos adornos usados.

Art Nouveau: A inspiração deste estilo era a Natureza. Suas jóias eram a mais bela representação das linhas orgânicas. Utilizavam materiais como marfim, chifres, vidros entre outros.




Belle Époque: A jóia neste período era usada com o intuito de adornar as mulheres e satisfazer sua vaidade


               Belle Epoque ( Edwardian ) natural pearl brooch Natural pearl , Old European cut diamonds , Platinum & Gold Diameter 3,9cm Europe 1900-1910 circa

Art Decó: O Cubismo e o Abstracionismo, assim como as linhas da Bauhaus, tiveram forte influência neste período. Geométricos, os colares e longos brincos também eram produzidos em materiais alternativos (não preciosos), como o aço.




Segunda Guerra: Após a Segunda Guerra, a Europa deixa de ditar moda e adota o estilo de vida americano. O cinema é um grande meio de difusão deste estilo. O glamour de Hollywood começa a imperar. 


Com a guerra ouve uma queda de fornecimento de gemas. Abriu-se, então, um grande espaço para as bijuterias finas

Anos 60 e 70: A forma era mais valorizada que o material e novos conceitos passam a ser empregados, utilizando plástico e até mesmo papel. O design passa a ser valorizado pelo conceito.(Biane Motta)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Jóias Egípcias




Desde o quarto milênio a.C. que existem evidências de confecção de jóias no antigo Egito.

O povo egípcio dava enorme importância ao significado religioso de certos objetos sagrados refletindo e influenciando os motivos para aplicar nas suas jóias
Começaram por fazer jóias de simples materiais naturais como por exemplo ramos de plantas, pérolas, pedras sólidas ou ossos.


Estes materiais eram colocados em fios de linho ou em pêlos de vaca e para dar cor começaram a pintá-los com substâncias extraídas de plantas e pedras.
Jóias Egípcias
A arte da ourivesaria egípcia atingiu o seu auge nos anos de 2160-1730 a.C. quando este povo dominou as técnicas e a precisão de confecção de peças de joalheria.
Durante os anos de 1500-1085 a.C., a ourivesaria ganhou impulso por causa das missões regulares ao deserto oriental e núbia para extrair metais e conquistar territórios.
Jóias Egípcias
Na lapidação egípcia usavam-se fragmentos de esmeraldas ou pedras para esculpir pedras mais suaves, enquanto ferramentas rotativas eram usadas em jóias mais difíceis.
Jóias Egípcias
A construção de monumentos juntamente com coleções de mobiliário de grande valor, jóias e arte promoveram a glória, poder e dominação religiosa dos faraós em toda a região.
Jóias Egípcias
Esta projeção de grande riqueza tornou-se especialmente importante em sua vida após a morte.
Na era faraónica até à era romana, tanto os homens como as mulheres usavam jóias no seu dia-a-dia, não só como símbolo de riqueza e estatuto social mas também como acessório decorativo que os embelezava e protegia contra o mal.
Jóias Egípcias
O ouro foi o principal metal eleito por esta civilização e foi frequentemente usado ao longo da história desde há milhares de anos.
Para além deste metal, o bronze foi usado extensivamente e, por vezes, coberto com folhas de ouro bem como uma liga de ouro, prata e uma pequena quantidade de cobre chamado de "electro" na V dinastia de Faraó, Sahure.
Sendo as pedras naturais muito difíceis de serem trabalhadas, os antigos egípcios preferiram imitar as suas cores usando vidro policromada em 2000 a.C.
Jóias Egípcias
Do vidro solidificado formavam esferas, amuletos, eshawabtis (figuras pequenas que eram enterrados com a múmia) revestiam objectos de argila, de sílica e areia, pedra-sabão e era utilizado como capa de esmalte em jóias de metal.
O povo egípcio foi o precursor da filigrana e a realeza usava nas suas jóias, esmaltes com cores opacas como azul-cobalto, turquesa, verde, roxo e branco e pedras como a jaspe, cornalina, lápis-lazúli, malaquita, turquesa e quartzo ficando a lápis-lazúli a mais apreciada das gemas.
No antigo Egito, a jóia era tão importante quanto a sua cor e nenhum símbolo foi tão importante para os egípcios como o escaravelho ou besouro símbolo de renascimento.
Jóias Egípcias
De acordo com o livro dos mortos, o azul-escuro representava o céu quando fica de noite, o verde a ressurreição e a renovação, o vermelho, o sangue a energia e a vida.
Serpentes, escorpiões e outros animais tinham o poder de afastar os espíritos malignos.
A joalheria dos talismãs era destinada para os mortos, como forma de proteção para a outra vida.
Jóias Egípcias
As jóias dos faraós eram preparadas desde o momento de posse do trono, ocupando constantemente os Joalheiros.
Os acessórios encontrados e que faziam parte da ornamentação egípcia eram pulseiras, peitorais decorativos suspensos por corrente ou fita e decorado para representar várias divindades, formava uma espécie de peruca exterior que influi como as ondas do cabelo em fios longos e flexíveis de contas de ouro sendo mantido no lugar por um diadema de ouro de forma a manter a peruca durante as cerimónias.
Jóias Egípcias
Os diademas eram utilizados também pela múmia para proteger a testa do rei no além.
A maioria dos objetos domésticos tais como vasos, placas e móveis eram feitos de ouro batido enfeitado com jóias.
Jóias Egípcias
Embora alguns tesouros egípcios se tenham perdido ou sido roubados, o tesouro do famoso Faraó Tutancâmon, filho de Amenhotep III herdado e acumulado ao longo dos tempos, como o de Seti I ou Ramsés ainda permanece vivo.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Ônix

Camafeu com Poseidon e Athena , ágata e ônix, Museu Arqueológico Nacional , Nápoles.

O Ônix era uma das mais importantes pedras de adorno e de uso terapêutico na Antiguidade.
 Vários povos tinham a pedra de Ônix como amuleto forte e poderoso. Os romanos a tinham como pedra de proteção. Os gregos acreditavam em poderes que a pedra tinha sobre o parceiro amoroso. O Ônix está entre os amuletos mais utilizados pelos Indianos contra magia negra e bruxaria.

Grupo de Quartzo : Família da Calcedônia
Sistema: Hexagonal
Comp. Quím : Dióxido de Silício
Cor : Negro ou  Marrom

Ajuda na concentração.
Traz vigor e força e promove a estabilidade.
Boa para momentos difíceis e confusos de nossas vidas. Alivia o estresse, combate a depressão e suaviza o medo.
Boa pedra para pessoas distraídas. Age como um tônico. Também benéfica para os que necessitam de autoconfiança ou para pessoas temerosas ou preocupadas em excesso.
Em nível físico, ajuda nos problemas de audição, os males do estômago e as úlceras.
Favorece o coração, os rins, os tecidos nervosos.
                      Pulseira de Prata 950 com fios de onix.(https://www.facebook.com/ramatjoias/)


segunda-feira, 20 de junho de 2016

Alquimistas : Cientistas ou Sonhadores?

Alquimistas : Cientistas ou Sonhadores?




De onde terá surgido tal “ciência” que atraiu e fascinou tantos homens ilustres da Antiguidade? Muito provavelmente já com o homem pré-histórico, observando sua fogueira e a forma como transformava madeira em cinzas, frio em calor, rochas em vidro.
A História define como data provável do surgimento da Alquimia o período entre 300 a 1400d.C. Os Alquimistas eram homens que dominavam a metalurgia.

Segundo alguns historiadores teria surgido no Egito Antigo e sua invenção atribuída a Hermes Trismegisto, inventor de todas as artes.
Muitos povos praticaram a Alquimia. Em alguns países foi protegida e estimulada, no entanto em outros foi reprimida e perseguida.
A etimologia da palavra Alquimia é incerta porém acredita-se que derive do árabe al kimiya, cujo significado é: arte mágica da Terra Negra. Referência ao norte do Egito e ao Delta do Nilo. Os egípcios eram peritos em metais e acreditavam nos poderes mágicos de determinadas ligas metálicas.




Foi um estudo que mesclou razão com intuição e misticismo para tentar explicar as transformações da matéria. Basil Valentine, alquimista e monge beneditino, descreveu a Alquimia como a investigação dos processos naturais com os quais Deus encobriu as coisas eternas.
A principal meta da Alquimia é transformar metais “vis” em ouro.

Tudo teve início na antiga teoria de Aristóteles de que tudo é formado por quatro elementos básicos: terra, água, fogo e ar. Em diferentes proporções, sim, mas apenas pelos quatro.
Os Alquimistas deduziram então que ajustando as tais proporções uma barra de chumbo poderia transformar-se numa bela barra de ouro.




Sua busca constante era pela “Pedra Filosofal”, substância que misturada aos metais provocava a esperada transmutação. Segundo o alquimista Jacob Boehme a Pedra Filosofal é o espírito de Cristo que impregna a alma individual.
Muitos estudiosos dizem que tal idéia é muito simples para a verdadeira busca dos Alquimistas. 
Haveria outro objetivo por trás de tal conceito. Provavelmente a busca da purificação espiritual.
A intenção era o encontro do puro, no perfeito. Quem sabe a tal “Pedra Filosofal” fosse o caminho para a autopurificação, encontro da perfeição espiritual e conseqüente imortalidade.
Há diversos textos que mencionam o sonho da imortalidade por parte desses homens.

Isaac Newton foi um estudioso da Alquimia.




James Price foi o último alquimista a tentar provar sua descoberta da Pedra Filosofal, em 1783, no entanto após o fracasso de tal experimento ingeriu ácido prússico diante de seus colegas e morreu.

Mas eles foram mais importantes do que se imagina. Aperfeiçoaram processos químicos, tornaram conhecidas substâncias até então desconhecidas, contribuíram para o desenvolvimento de alguns remédios, entre outros.
Incrível a associação que homem faz da pureza ao ouro, metal tão apreciado até nossos dias e que não teve substitutos, apesar de toda a evolução tecnológia e espiritual do ser humano.
Bibliografia
Dicionário de Magia e Esoterismo
Nevill Drury - Editora Pensamento
Alquimistas e Químicos
José Atílio Vanin - Editora Moderna
Enciclopédia de Conhecimentos Esotéricos
Alfredo Nieva - Editora Professor Francisco Valdomiro Lorenz
Texto : Márcia Pompei Designer de jóias e professora de joalheria e especializações
no Atelier Márcia Pompei


Fotos : Internet

quarta-feira, 20 de abril de 2016

A Estrela de 5 pontas- Pentagrama

A Estrela de 5 pontas- Pentagrama




Conhecido pelos antigos mesopotâmios (por exemplo, os sumérios), foi muito considerado por Pitágoras, que observou sua relação com o número áureo.
A maioria dos autores opina que o pentagrama foi primeiro conhecido e estudado pelos babilônios e que, daí em diante, o tomaram os pitagóricos devido à coincidente associação do pentágono regular com o cosmos e a ordem divina. Ainda assim, existe quem ponha isso em dúvida, pois o sumário atribuído aos neoplatônicos Eudemo de Rodas e Proclo menciona que os pitagóricos apenas conheciam três dos poliedros regulares, desconhecendo o octaedro e ao icosaedro.
A explicação dada é que eles os conceberam da forma dos cristais naturais e de uma dedução matemática, o que iria contra a herança babilônica.[2]
Desde então, se deu um uso místico-mágico e outro científico; na magia, o pentáculo com sua ponta voltada para cima significa o ser humano (durante a Idade Média, se esboçavam longos pentalfas para, sobre eles, se desenharem figuras humanas, e isto pode se verificar no célebre escrito de Leonardo da Vinci para o livro "A Divina Proporção", de Luca Pacioli). A magia tem o pentagrama como um de seus símbolos principais. 
Pentagrama
Na ciência propriamente dita, a estrela pentagrama é um interessante diagrama que descreve várias leis matemáticas: se encontra representada nos logaritmos, na sequência de Fibonacci, na espiral logarítmica, nos fractais etc..
Fonte : Wikipédia

A ESTRELA DE DAVID

A ESTRELA DE DAVID



Seu reconhecimento como símbolo exclusivamente judaico é um fato relativamente recente já que, na Antigüidade e mesmo durante a Idade Média, várias civilizações além da nossa usavam o hexagrama como símbolo místico ou puramente decorativo.
Edição 35 - Dezembro de 2001
Mas desde o século XIX a Estrela de David tem sido o símbolo mais usado entre os judeus de todas as partes do mundo. Usada por várias comunidades e instituições de todas as tendências, este símbolo pode ser visto em fachadas de sinagogas, assim como em seu interior, sobre o hechal (Arca Sagrada) , em parochet (cortina que cobre a Arca), em lápides e inúmeros outros objetos religiosos.
Durante uma das épocas mais terríveis da história do povo de Israel, quando praticamente toda a Europa estava sob o jugo nazista, estes obrigaram todos os judeus a usar uma estrela amarela nas vestes. Queriam transformar a Estrela de David em um símbolo de vergonha e de morte, mas para os judeus tornou-se um símbolo de sofrimento e heroísmo e da esperança coletiva de todo um povo.
A criação do Estado de Israel fez com que o símbolo marcado pelo sofrimento renascesse junto com a Nação Judaica. O Estado de Israel, o primeiro Lar Na-cional judaico após 2.000 anos de diáspora, ostenta na parte central de sua bandeira uma Estrela de David de cor azul
Para se traçar a origem da Estrela de David na história judaica devem-se levar em consideração dois aspectos. Primeiro, a evolução histórica do nome e do símbolo, que, como veremos mais adiante, ao que tudo indica, em seus primórdios não tinham ligação entre si. Segundo, a interpretação mística do Maguen David.
Evolução histórica
Desde a Idade do Bronze, utilizaram-se estrelas de cinco e seis pontas como decoração ou como elemento mágico, sendo encontradas em ruínas de civilizações tão diferentes e tão distantes como a Índia, a Mesopotâmia ou a Grã-Bretanha. Na Índia, por exemplo, algumas datam de cerca 3.000 anos antes da era comum. Há, ainda, hexagramas em igrejas medievais e bizantinas. No Islã era considerado um símbolo muito importante. A estrela de seis pontas também fazia parte dos emblemas de várias nações e atualmente pode ser vista na bandeira da Irlanda do Norte.
Mas antes de analisar sua evolução histórica, devemos ressaltar alguns aspectos importantes. A tradução literal do termo Maguen David não é Estrela de David, mas sim Escudo de David. O termo “escudo” ou maguen é muito usado nas orações e não se refere à estrela de seis pontas, mas é uma forma poética de referência a D’us, ou seja, à Sua proteção onipotente.
No Talmud, D’us é chamado “Escudo de David” (Pesachim, 117b). Ao afirmar que D’us é o “Escudo de David”, nós o reconhecemos como sendo o único Protetor do rei David e, conseqüentemente, também o nosso. Reconhecemos, assim, que foi unicamente graças à proteção e bênção Divina que o rei David conseguiu suas grandes vitórias militares. A cada Shabat, após a leitura da Haftará, reiteramos este conceito ao dizer “Abençoado sejas Tu, meu D’us, Escudo de David”.
Não está muito claro, porém, como o conceito de D’us como “escudo” acabou entrelaçando-se com a estrela de seis pontas. Há inúmeras suposições, entre as quais uma que afirma que o escudo do rei David era triangular e sobre ele estava gravado o “Grande Nome Divino de 72 Letras” juntamente com as letras hebraicas m, k, b e y (as letras da palavra Macabi).
Outra suposição é que o símbolo tenha surgido na época de Bar Kochba, no período de 132-135 da era comum. Segundo esta teoria, os judeus que lutavam contra as forças romanas adotaram escudos mais resistentes, em cujo interior foram colocados dois triângulos entrelaçados. Alguns estudiosos, entre os quais Rabi Moses Gaster (grã-rabino sefaradita da Inglaterra, de 1887 a 1918, e líder sionista), acreditavam que havia uma estrela de seis pontas gravada nas moedas cunhadas na época de Bar Kochba.
Ainda no Talmud (Gittin 68a) esta escrito que o rei Salomão possuía um anel no qual estava gravado o “Nome Divino de 72 Letras“ e que este anel o protegia contra as forças negativas. Porém, mais uma vez não é dada nenhuma descrição adicional. Muitas vezes o pentagrama – a estrela de 5 pontas – chamado de “Selo de Salomão”, termo usado tanto no Islã como em algumas comunidades judaicas, era usado no lugar do Maguen David. A estrela de cinco pontas também era considerada um símbolo de proteção Divina, mas no meio judaico seu uso acabou sendo abandonado.
O mais antigo artefato judaico com um hexagrama de que se tem notícia é um selo encontrado em Sidon, datado do século VII antes da era comum. Apesar de, na época do Segundo Templo, os símbolos judaicos mais comuns serem o shofar, o lulav e a menorá, foram encontrados pentagramas e hexagramas em vários achados arqueológicos. Um exemplo é o friso da sinagoga de Cafarnaum (século II ou III da era comum) e uma lápide (ano 300 da era comum), encontrada no sul da Itália.
Idade Média
O uso ornamental de estrelas tanto de cinco como de seis pontas estendeu-se durante a Idade Média aos países muçulmanos e cristãos. Entre os muçulmanos o uso do “Selo de Salomão”, como proteção, era muito difundido. Alguns reis, como o de Navarra, usavam a estrela de seis pontas em seu selo. O hexagrama é encontrado em igrejas e catedrais, assim como em sinagogas, como a de Hameln (Alemanha, 1280) e a de Budweis (Boêmia, século XIV). Iluminuras de manuscritos hebraicos medievais contêm hexagramas sem que lhes sejam atribuídos qualquer nome.
O mais antigo texto que faz menção ao Maguen David como o escudo protetor usado pelo Rei David pode ser encontrado em um alfabeto místico que remonta ao período gueônico e era utilizado pelos sábios asquenazitas do século XII. Mas, neste caso, acreditava-se que o que estava gravado no escudo era o Grande Nome Sagrado de 72 letras. O termo Maguen David ainda não estava ligado à estrela de seis pontas e não está claro o que teria provocado a substituição do “Grande Nome de 72 letras” pela figura geométrica. Depois desta época, o uso do Maguen David tornou-se difundido em manuscritos medievais como proteção.
Também são da Idade Média os primeiros amuletos de proteção em que aparece o hexagrama. Entre os séculos X e XIV, são encontrados em mezuzot.
Mas até o século XII, o termo Maguen David não tinha ainda um vínculo com a estrela de seis pontas, já que havia várias hipóteses sobre o que estava gravado no escudo que o rei David usava nas batalhas. Por exemplo, segundo a obra de Rabi Isaac Arama, Akedat Itzhak (século XV), o que estava gravado no escudo do rei era o Salmo 67 disposto em forma de menorá.
Mas é no texto cabalístico Sefer ha-Guevul, de autoria de um neto de Nachmânides, do início do século XIV, que podemos encontrar o mais antigo testemunho do uso do termo em relação à estrela de seis pontas. O hexagrama aparece duas vezes nesse texto, sendo chamado em ambas de Maguen David.
Já a partir do século XIII, na Espanha e na Alemanha, são encontrados manuscritos bíblicos nos quais partes da messorá – tradição oral - são escritas em micrografia, em forma de hexagrama. E até o século XVI, os sábios cabalistas acreditavam que o Escudo de David não deveria ser desenhado com simples linhas geométricas. Deveria ser composto com determinados Nomes Sagrados e suas combinações, segundo o padrão dos manuscritos bíblicos, nos quais as linhas eram compostas com textos da messorá.
O uso oficial
Foi no século XIV, em Praga, capital da Boêmia, que o Escudo de David foi usado pela primeira vez de forma oficial para representar uma comunidade judaica. No ano 1354, o rei Karel IV concedeu à comunidade judaica o privilégio de ter sua própria bandeira. No fundo vermelho, foi colocado o hexagrama, a Estrela de David, em ouro. Documentos referem-se a este símbolo como sendo a “bandeira do rei David“. Em Praga, a estrela de seis pontas – sempre chamada de Maguen David – passou a ser usada tanto em sinagogas, como no selo oficial da comunidade e em livros impressos.
O símbolo logo se difundiu e, a partir do século XVII, tornou-se o emblema oficial de várias comunidades judaicas e do judaísmo em geral. Em Viena, em 1656, foi usado em uma pedra que marcava o limite entre os bairros judeus e cristãos, junto com uma cruz. Ao serem expulsos de Viena, os judeus levaram o símbolo para outras localidades para onde se transferiram, a Morávia e Amsterdã. Em 1799, a Estrela de David foi usada para representar o povo judeu em uma gravura anti-semita. Em 1822, ao ser agraciada com um título de nobreza pelo imperador austríaco, a família Rothschild a usou em seu brasão.
Foi considerada, assim, um símbolo especificamente judaico no decorrer dos séculos XVIII e XIX na Europa Central e Oriental, espalhando-se pelas comunidades judaicas da Europa Ocidental e do Oriente Médio. Quase todas as sinagogas exibiam a Estrela de David, algumas em sua fachada; outras instituições, como as sociedades beneficentes, usavam o símbolo em seus documentos. Segundo um dos grandes rabinos deste século, o Rabi Moshe Feinstein, o rei David usava o Maguen David, o símbolo de seis pontas, para que o Todo- Poderoso o protegesse nas batalhas. O movimento sionista a adotou como emblema de sua bandeira e do primeiro número do periódico sionista de Theodor Herzl, Die Welt. Os fundadores de Rishon L’Tzion também a colocaram em sua bandeira, em 1855. A Estrela de David tornara-se o símbolo de novas esperanças e de um novo futuro para o povo de Israel.
Mas foram os nazistas que lhe conferiram uma nova dimensão. Em 1933, Hitler, ao decidir que os judeus deveriam usar uma marca em suas roupas para que pudessem ser facilmente reconhecidos, escolheu a “Estrela Judaica” – como era chamado, em tom pejorativo pelos nazistas, o Maguen David. Ao querer fazer deste um distintivo da vergonha que acompanharia milhões em seu caminho para a morte, tornou-o símbolo de um povo. Símbolo de sofrimento e morte, mas também de esperança.
Quando o Estado de Israel escolheu como emblema do novo Estado judaico a menorá, manteve o Maguen David na bandeira nacional. Atualmente, a Estrela de David é o símbolo de uma nação independente. É o símbolo de um lar nacional para todo e qualquer judeu.

Bibliografia:
Encyclopedia Judaica
Létoile de David : symbole juif ?- Kountrass

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Cristal Murano, de Veneza





cristal Murano tem sido um famoso produto da ilha Veneziana de Murano por séculos. Localizado fora da costa de Veneza, Itália, Murano foi um porto comercial a tanto tempo que fica entorno do século VII. Pelo século X se tornou uma conhecida cidade de comércio. Hoje Murano permanece como destino para turistas e amantes de arte e de joalheria.


Murano, embora descrita como uma ilha da Lagoa de Veneza, é de facto um arquipélago de sete ilhas menores, das quais duas são artificiais (Sacca Serenella e Sacca San Mattia), unidas por pontes entre si. Tem aproximadamente 5500 habitantes e fica a somente 1 km de Veneza. Murano é um local famoso pelas obras em vidro, particularmente candeeiros.


Murano foi fundada pelos romanos, e desde o século VI foi habitada por gente procedente de Altino e Oderzo. A principio, a ilha prosperou como porto pesqueiro e graças à produção de sal. Era um centro de comércio. Com o porto controlavam a ilha de Santo Erasmo. A partir do século XI a cidade começou a decair devido a muitos habitantes se mudarem para Dorsoduro. Tinham um grande poder local, como o de Veneza, mas desde o século XIII Murano foi governada por venezianos. Contrariamente a outras ilhas da lagoa, Murano cunhava as suas próprias moedas.
Em 1291, todos os cristaleiros de Veneza foram obrigados a mudar-se a Murano devido ao risco de incêndio, porque a esmagadora maioria dos edifícios de Veneza era construída em madeira. Durante o século XIV, as exportações começaram e a ilha ganhou fama, inicialmente pelo fabrico de missangas de cristal e de espelhos. O cristal aventurine foi inventado na ilha e, durante algum tempo, Murano chegou a ser o maior produtor de cristal da Europa. O arquipélago, mais tarde, ficou conhecido pelo fabrico de lustres. Embora tenha havido grande queda durante o século XVIII, a cristalaria continuou a ser a industria mais importante da ilha.


No século XV, a cidade tornou-se popular como lugar de férias dos venezianos, e construiu-se um palácio, mas esta moda extinguiu-se depois. O campo da ilha era conhecido pelas suas árvores de fruta e jardins até ao século XIX, quando começaram a construir-se mais casas.

As atrações da ilha são a Igreja de Santa Maria e São Donato, conhecida pelos seus mosaicos bizantinos do século XII, e porque se diz que alberga os ossos de um dragão que matou São Donato; a Igreja de São Pedro Mártir e o Palácio da Mula. As atrações relacionadas com o cristal incluem muitas obras neste material, algumas delas da época medieval, em espaços abertos ao público. Há um Museu do Cristal (Museo Vetrario) que se encontra no Palácio Giustinian.

VÍDEO : Mestres do Murano


https://youtu.be/CNu8qoTREFk